A indústria sustentável entra em nova fase com inovação aplicada à reciclagem
Especialistas apontam que tecnologia e engenharia de processos serão determinantes nos próximos dez anos
Reprodução A indústria sustentável inicia 2026 em um momento decisivo. Pressionada por exigências regulatórias, metas corporativas de ESG e necessidade de eficiência econômica, a reciclagem deixa de ser atividade complementar e passa a ocupar papel estratégico dentro das cadeias produtivas. O avanço não ocorre apenas por demanda ambiental, mas por transformação técnica.
De acordo com dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), a produção global de plásticos mais que dobrou nas últimas duas décadas, enquanto a capacidade de reciclagem ainda não acompanha o mesmo ritmo. O desafio, segundo especialistas do setor, está menos na intenção de reciclar e mais na engenharia necessária para garantir qualidade e previsibilidade do material recuperado.
Para o empresário industrial Ciro José Fedalto, que atua há mais de vinte anos na reciclagem e transformação de plásticos, o setor vive uma mudança estrutural.
“A reciclagem está entrando em uma fase mais madura. Não basta recolher material. É preciso dominar processo, entender composição e entregar estabilidade técnica. A indústria só cresce quando há controle”, afirma.
A incorporação controlada desses materiais exigiu ajustes técnicos e validações laboratoriais, posteriormente estruturadas em estudo acadêmico voltado à recuperação mecânica de resíduos plásticos de maior complexidade. A iniciativa demonstrou que, com engenharia adequada, parte dos materiais antes descartados pode retornar à cadeia produtiva com viabilidade econômica.
Diante de custos elevados de energia e carga tributária no Brasil, Fedalto liderou a transferência de operação industrial para o Paraguai a partir de 2019, estruturando planta produtiva e consolidando mercado local. A internacionalização permitiu maior competitividade e reorganização da cadeia produtiva, mantendo foco em eficiência e sustentabilidade econômica.
Segundo ele, os próximos dez anos serão definidos por tecnologia aplicada à realidade industrial.
“A inovação não pode ser teórica. Ela precisa reduzir custo, melhorar desempenho e gerar previsibilidade. Quem não trabalhar com método vai perder espaço.”
Além da engenharia de processo, Fedalto destaca a importância da integração entre cadeia produtiva e mercado. Para ele, o reciclado só se consolida quando deixa de competir exclusivamente por preço e passa a ser reconhecido por desempenho técnico.
“A indústria sustentável não é tendência futura. Ela já começou. O diferencial agora é quem consegue aplicar conhecimento técnico de forma consistente.”
O setor entra, portanto, em uma nova etapa, na qual sustentabilidade e competitividade deixam de ser opostas e passam a caminhar juntas. Com maior exigência de rastreabilidade, controle de lote e padronização, a reciclagem assume papel mais estratégico na indústria de transformação.
O debate sobre sustentabilidade deixa de girar apenas em torno de metas ambientais e passa a focar em eficiência operacional e inovação aplicada. A nova fase da indústria sustentável será definida menos por discursos e mais por capacidade técnica instalada.






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