Biocombustíveis e Segurança Energética Impulsionam Nova Fase do Agronegócio
Integração entre produção agrícola e energia renovável fortalece sustentabilidade e competitividade industrial
Reprodução Durante muito tempo, os biocombustíveis foram tratados no debate público como uma agenda complementar do agronegócio. Em março de 2026, essa leitura já não se sustenta. O avanço da demanda por energia, a busca por maior autonomia nacional no abastecimento e a maturidade industrial do setor fizeram com que etanol e biodiesel passassem a ocupar posição central na estratégia econômica brasileira.
A mudança de escala pode ser observada nas próprias decisões regulatórias do país. Em 2025, o Conselho Nacional de Política Energética aprovou o aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina de 27% para 30% e do biodiesel no diesel de 14% para 15%, medida que entrou em vigor em 1º de agosto daquele ano e foi apresentada pelo Ministério de Minas e Energia como reforço à autossuficiência energética e à transição da matriz brasileira.
Atualmente, o Brasil opera com a mistura obrigatória de biodiesel no diesel em nível B15. Embora exista uma diretriz de evolução gradual dessa mistura, com possibilidade de avanço para percentuais superiores nos próximos ciclos, esse processo não segue um cronograma rígido. A progressão depende de testes técnicos, validações operacionais, capacidade produtiva, condições econômicas e definições do governo. Em um cenário internacional marcado por preocupação com segurança energética e maior valorização de fontes renováveis, a possibilidade de aceleração desse avanço passou a integrar o debate setorial, abrindo espaço para novos investimentos e fortalecimento da cadeia produtiva do biodiesel.
Nos bastidores do setor, também ganham espaço discussões sobre novos avanços na mistura obrigatória. Declarações recentes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva indicaram a intenção do governo de elevar o percentual de etanol na gasolina para 32% e do biodiesel no diesel para 16%. Embora a medida ainda não tenha sido formalizada, o sinal reforça a direção de política energética voltada à ampliação do uso de combustíveis renováveis no país e contribui para aumentar a expectativa de novos investimentos ao longo da cadeia.
As projeções oficiais reforçam que essa expansão não é episódica. A Empresa de Pesquisa Energética informou, em sua edição de fevereiro de 2026 sobre o mercado brasileiro de combustíveis, que a demanda total por combustíveis líquidos e GLP deve crescer 3,5 bilhões de litros em 2026 e mais 3,1 bilhões em 2027. O estudo também destacou boas perspectivas para a safra 2025/26 e apontou o avanço do etanol de milho como um dos elementos que sustentam a segurança de oferta no país.
Em paralelo, o mercado internacional passou a oferecer um argumento adicional a favor da agenda renovável. Em março de 2026, reportagens da Reuters mostraram que a alta dos preços de energia poderia levar usinas brasileiras a priorizar mais etanol, enquanto o biodiesel se tornava mais barato do que o diesel importado no Brasil, o que reforçou o debate sobre competitividade e redução de dependência externa.
É nesse ambiente que a trajetória de Anderson Pelissari de Souza ganha ainda mais aderência ao debate. Sua atuação está ligada à governança do agronegócio, à logística integrada, à expansão industrial e às cadeias de alimentos e energia renovável. Anderson é acionista e integrante do Comitê de Negócio vinculado ao Conselho de Administração da Caramuru Alimentos, além de sócio-diretor administrativo do Grupo JBPS. Antes disso, construiu experiência em supply chain e gestão de risco em passagens por Arthur Andersen e Deloitte.
“O avanço da mistura de biodiesel precisa ser analisado com responsabilidade técnica. O Brasil tem uma base produtiva relevante e uma agenda energética favorável, mas qualquer ampliação deve considerar segurança operacional, capacidade de abastecimento, estabilidade regulatória e viabilidade econômica. Quando esses fatores estão alinhados, o biodiesel deixa de ser apenas uma alternativa renovável e passa a atuar como instrumento concreto de segurança energética e competitividade industrial” afirma Anderson.
Na avaliação de Anderson, o ponto mais importante desse novo ciclo é que o biocombustível deixou de ser percebido apenas como derivação da produção agrícola. “Hoje ele deve ser entendido como parte da inteligência industrial do agronegócio. Quando a cadeia consegue transformar matéria-prima em energia renovável, ela amplia relevância econômica, diversifica receita e fortalece a capacidade de resposta do país.”
A leitura do executivo vai além do discurso ambiental. Para ele, há um ganho objetivo de robustez sistêmica. “Segurança energética não depende só de ter combustível disponível. Depende de ter cadeia confiável, escala produtiva, capacidade de processamento, logística eficiente e previsibilidade regulatória. O Brasil reúne essas condições de forma rara.”
Esse raciocínio ajuda a explicar por que o tema se tornou mais estratégico também dentro das empresas. Na visão de Anderson, a integração entre produção agrícola e energia renovável exige qualidade de decisão em nível elevado. “Biocombustíveis não são um negócio isolado. Eles conectam originação, indústria, compliance, investimento, armazenagem, transporte e mercado. Sem governança e coordenação, a empresa não captura todo o valor dessa integração.”
O argumento encontra respaldo no próprio perfil energético brasileiro. Em apresentação técnica da EPE para o planejamento de longo prazo, a participação de fontes renováveis na matriz energética nacional em 2025 aparece estimada em 51%, patamar bastante superior à média global. Em outra publicação da estatal, a biomassa respondeu por 33,3% da oferta interna de energia em 2024.
“Quando a produção rural passa a abastecer não apenas alimentos e insumos, mas também energia, o setor ganha nova densidade econômica. Ele deixa de ser visto só como fornecedor de commodities e passa a integrar uma agenda nacional de competitividade e estabilidade.” A autoridade dele nesse tema nasce justamente dessa interseção entre experiência prática e posição institucional.
O Brasil, nesse contexto, não compete apenas por volume, mas por modelo.
Por isso, Anderson resume o momento como uma inflexão estrutural. “A nova fase do agronegócio brasileiro passa pela capacidade de integrar produtividade, transformação industrial e energia renovável em um mesmo sistema. É essa combinação que fortalece a sustentabilidade do setor e, ao mesmo tempo, amplia sua competitividade.”






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