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São Paulo,05/06/2026

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Destinos emergentes ganham protagonismo com organização estratégica e inovação operacional

Especialistas apontam que descentralização do turismo e qualificação da gestão impulsionam economias locais

Agência News
Destinos emergentes ganham protagonismo com organização estratégica e inovação operacional Reprodução

O turismo brasileiro vive uma fase em que regiões fora dos roteiros mais tradicionais começam a disputar espaço na agenda econômica nacional. A busca por experiências autênticas, natureza preservada, atendimento mais personalizado e contato com culturas locais ampliou o interesse por destinos que, durante muito tempo, estiveram à margem dos grandes fluxos turísticos.

Essa mudança ganhou força com a estratégia de promoção internacional do Brasil. O Plano Brasis, desenvolvido pela Embratur em parceria com o Sebrae e a Fundação Getulio Vargas para o período de 2025 a 2027, tem como objetivo reforçar a imagem do país pela diversidade de experiências, sustentabilidade e autenticidade dos destinos brasileiros. A iniciativa também destaca a importância dos pequenos negócios, já que o setor de turismo no Brasil reúne 1,78 milhão de empresas, das quais 97,4% são pequenos negócios. 

Na prática, esse dado mostra que o futuro do turismo nacional não depende apenas de capitais, aeroportos internacionais ou grandes grupos econômicos. Boa parte da entrega ao visitante acontece em empresas locais, pousadas, agências, atrativos, restaurantes, guias, transportadores e prestadores de serviço que sustentam a experiência real em cada território.

Esse cenário ajuda a explicar por que destinos emergentes passaram a ser vistos como ativos estratégicos. O crescimento do turismo internacional no Brasil, somado à necessidade de distribuir melhor os benefícios econômicos da atividade, abriu espaço para regiões que oferecem natureza, identidade cultural e potencial de organização. Em abril de 2026, a Embratur relacionou o aumento das receitas do turismo internacional à aplicação do Plano Brasis e à articulação com estados, municípios e setor privado. 

Para Fernando Aivi Peres, empresário, gestor e especialista em operações de turismo, hospitalidade e produção audiovisual estratégica, o protagonismo desses destinos dependerá menos da descoberta do lugar e mais da capacidade de organizar o que acontece depois que o visitante chega. Sua visão vem de uma trajetória construída em Bonito/MS, região reconhecida pelo ecoturismo, onde ele atuou em diferentes etapas da cadeia turística antes de assumir funções de gestão mais amplas.

“Quando um destino começa a aparecer mais, a demanda pode crescer rápido. Mas, sem gestão, esse crescimento vira pressão sobre equipe, estrutura, atendimento e reputação. O destino precisa se preparar antes de acelerar”, afirma.

A descentralização turística também depende de governança entre atores locais. Um destino não se fortalece por uma empresa isolada, mas pela coordenação entre atrativos, hospedagens, restaurantes, transporte, comunicação, poder público e comunidade. Quando esses agentes trabalham de forma desconectada, o visitante encontra experiências desiguais e o território perde competitividade.

Fernando defende que a inovação operacional começa com decisões simples, porém consistentes. “Inovar não é apenas comprar tecnologia. Muitas vezes, é redesenhar um fluxo, criar uma rotina de manutenção, melhorar a forma como a equipe se comunica ou organizar melhor a chegada do visitante. Pequenas mudanças bem executadas podem mudar o desempenho de um destino”, avalia.

Em fevereiro de 2023, ele assumiu a gerência geral do Rio Sucuri, passando a coordenar uma operação com mais de 30 colaboradores, diferentes setores internos, transporte, manutenção, áreas naturais, atendimento ao visitante e relacionamento com parceiros. A função o colocou diante de desafios típicos de atrativos naturais que buscam manter qualidade, segurança e eficiência em meio ao crescimento da demanda.

Essas experiências reforçam uma leitura importante para destinos emergentes: desenvolvimento turístico não ocorre apenas na promoção externa. Ele nasce também na forma como o território resolve problemas concretos, melhora estruturas, qualifica pessoas e cria padrões mínimos de entrega.

“O plano nacional pode abrir portas, mas quem sustenta a experiência é o destino local. Se a empresa não organiza atendimento, equipe, manutenção e comunicação, a oportunidade passa sem virar resultado permanente”, afirma.

O impacto econômico da descentralização pode ser amplo. Quando um destino emergente se consolida, ele estimula contratação de mão de obra local, movimenta fornecedores, amplia a demanda por hospedagem, fortalece restaurantes, valoriza guias e cria espaço para novos empreendedores. Mas esse ciclo depende de continuidade e padrão.

A falta de preparo, por outro lado, pode gerar efeito inverso. Crescimento desordenado tende a provocar filas, sobrecarga em estruturas frágeis, queda na qualidade do atendimento, desperdício de recursos e perda de confiança por parte do visitante. Em destinos naturais, esse risco é ainda mais sensível, porque o ativo ambiental é a base do negócio.

Fernando entende que a liderança local é decisiva para transformar potencial em maturidade turística. “O gestor precisa conhecer o território, entender a equipe e agir com visão de longo prazo. Não adianta pensar só na temporada. Um destino forte é construído com rotina, responsabilidade e melhoria contínua”, afirma.

A produção audiovisual também aparece como ferramenta estratégica nesse processo, desde que não seja tratada apenas como publicidade. Imagens, vídeos e conteúdos digitais podem apresentar o destino ao mercado, educar o visitante, explicar experiências, alinhar expectativas e fortalecer marcas locais. A trajetória de Fernando nessa área mostra como a comunicação pode ser usada para aproximar operação e comercialização.

O desafio para os próximos anos será transformar destinos promissores em destinos preparados. O Brasil tem diversidade territorial, patrimônio natural e força cultural para ampliar sua participação no turismo global, mas a consolidação desse potencial dependerá da profissionalização dos bastidores.

A nova etapa do turismo brasileiro tende a valorizar lugares capazes de crescer sem perder identidade. Para isso, a descentralização precisa vir acompanhada de gestão. Quando há método, preparo e integração local, destinos emergentes deixam de ser apostas e passam a ocupar posição real na economia turística do país.





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