Gestão profissional chega aos pequenos empreendimentos da construção civil
Novas práticas de liderança e organização elevam o padrão de entrega de micro e pequenas empresas no setor
Reprodução Um movimento silencioso, porém poderoso, vem mudando a cara do setor de construção civil nos Estados Unidos: a profissionalização de pequenos empreendimentos comandados por imigrantes. Se antes o padrão era a informalidade e a atuação com foco exclusivo na execução, hoje muitas dessas empresas estão adotando práticas administrativas de grandes corporações — e colhendo os frutos disso.
O fenômeno é especialmente perceptível em estados com alta concentração de imigrantes brasileiros, como Connecticut, New York e Flórida. Pequenas empresas lideradas por brasileiros estão se destacando ao implementar processos organizacionais, softwares de gestão e treinamentos internos que aumentam a produtividade, reduzem desperdícios e melhoram o relacionamento com os clientes.
Bruno Lins Monteiro Setti, profissional brasileiro que vem atuando no mercado de construção dos Estados Unidos, é um dos especialistas que observam de perto esse movimento.

Bruno Lins Monteiro Setti
“O mercado mudou. O cliente hoje quer clareza, cronograma, entrega no prazo. Quem ainda pensa que basta saber construir está ficando para trás. A gestão virou uma exigência, mesmo em empresas com menos de dez funcionários”, explica Bruno, que atuou por anos como gestor de projetos e coordenador operacional em empresas do setor.
Com experiência prática adquirida desde a base — passando por funções operacionais e evoluindo até a liderança de projetos com múltiplas frentes — Bruno viu de dentro como a estrutura organizacional pode transformar pequenas empresas em referências de eficiência.
Em suas passagens por empresas na região nordeste dos EUA, ele implementou controles de materiais, padronização de orçamentos, checklists de entrega e acompanhamento de equipes por metas de desempenho — práticas antes raras em obras de pequeno porte. Segundo ele, não é necessário um grande investimento para se destacar:
“Você não precisa de um MBA para organizar uma obra. Basta criar rotina, definir função, controlar o que entra e sai e manter o time alinhado. Isso já é o suficiente para entregar mais com menos dor de cabeça”, diz.
A profissionalização também exige uma nova mentalidade por parte dos empreendedores, que muitas vezes acumulam funções sem conseguir estruturar um modelo replicável. “O dono precisa sair da operação em algum momento e olhar o negócio como um gestor. Esse é o ponto de virada”, destaca o especialista.
O interesse por capacitação vem crescendo entre empresários do setor. De acordo com dados recentes da National Association of Home Builders, 37% dos microempreendedores da construção em 2023 buscavam programas de formação em gestão, controle de custos e liderança de equipes — número 15% maior do que no período pré-pandemia.
A tendência aponta para um futuro em que as microempresas de construção terão cada vez mais perfil de negócio estruturado, com liderança técnica e administrativa integradas. E esse avanço passa, segundo Bruno, por um tripé claro: processo, pessoas e postura.
“Quem entender que construir uma casa exige o mesmo nível de planejamento que construir uma empresa, vai crescer. E quem não entender, vai continuar trocando horas por dinheiro sem sair do lugar.”






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