Embarques recordes de petróleo iraniano e russo reduzem impacto na China
As refinarias de petróleo na China provavelmente não terão dificuldade em superar as perturbações a curto prazo causadas pelo conflito com o Irã graças a recentes embarques recordes de petróleo bruto iraniano e russo e ao armazenamento agressivo do governo, afirmaram traders.
A China é o maior importador mundial de petróleo e suas refinarias independentes são o principal mercado para o petróleo iraniano, que é negociado com um grande desconto graças às sanções dos EUA que assustam a maioria dos compradores.
Na segunda-feira (2), os operadores chineses permaneceram em sua maioria à margem, buscando digerir o impacto do ataque conjunto dos EUA e Israel ao Irã, os ataques retaliatórios de Teerã no Golfo e a expansão do conflito para o Líbano. Os preços do petróleo subiam 9% na segunda-feira.
“O mercado está nervoso e a situação pode mudar a qualquer momento”, disse um trader sênior de uma grande refinaria independente.
Um segundo trader de uma refinaria com sede na província de Shandong que processa petróleo iraniano disse que “não conseguiu se convencer a fazer uma oferta”, pois não consegue avaliar como a situação irá evoluir.
Descontos mais reduzidos no petróleo iraniano?
Dito isso, não há muita preocupação com os suprimentos para as entregas de março e abril, com barris russos abundantes, bem como volumes recordes de petróleo iraniano no mar, acrescentou o trader.
Sua fábrica também diversificou seus suprimentos, aumentando as importações da Rússia e do Brasil desde o terceiro trimestre do ano passado, porque o petróleo iraniano, que antes era o mais lucrativo, perdeu parte de sua vantagem de preço.
Embora ainda não haja indicações claras de preços, alguns operadores esperam que os descontos para o petróleo iraniano diminuam devido às expectativas de um abastecimento mais restrito.
Um trader citou uma oferta de ICE Brent menos US$ 9 por barril na entrega, ante menos US$ 11 na semana passada.
Há também especulações no mercado de que os suprimentos iranianos poderiam até mesmo ser removidos da lista de sanções de Washington se a campanha militar resultar no controle dos EUA sobre as exportações de petróleo iraniano.
No acumulado do ano, as importações de petróleo da China provenientes do Irã representam 11,5% do total de suas importações marítimas, com o petróleo da Rússia logo atrás, com 10,5%, de acordo com a empresa de rastreamento de petroleiros Kpler.
A Kpler estimou o petróleo iraniano carregado em fevereiro em 2,15 milhões de barris por dia, o nível mais alto desde julho de 2018, enquanto a Vortexa estimou em 2 milhões de bpd. Os exportadores iranianos teriam se apressado em enviar petróleo antes de um possível conflito.
Enquanto isso, as importações russas da China devem subir pelo terceiro mês consecutivo, atingindo um recorde em fevereiro, após a Índia ter reduzido drasticamente suas compras.
As transações antecipadas para embarques de abril da mistura russa ESPO permaneceram com descontos significativos na ICE Brent, entre US$ 8 e US$ 9 por barril.
Emma Li, analista da Vortexa na China, disse que os abundantes embarques russos e iranianos significam que é improvável que as refinarias independentes se voltem para o mercado convencional no curto prazo.
Graças à campanha de estocagem de Pequim, a China acumulou cerca de 900 milhões de barris em estoques controlados pelo Estado, o equivalente a 78 dias de importações, de acordo com estimativas da Vortexa e de operadores.
Caso o petróleo iraniano não tenha mais o desconto das sanções, espera-se que as refinarias independentes chinesas retornem aos seus padrões de compra anteriores.
Na época, o petróleo russo era sua primeira escolha, enquanto cargas do Brasil, Canadá e produção offshore chinesa também eram favorecidas, disseram operadores.






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