Análise: Crise chega ao Planalto após pagamento de amiga de Lulinha
A crise envolvendo fraudes no INSS atingiu diretamente o Palácio do Planalto após a revelação de que a empresária Roberta Luchsinger teria feito pagamentos a Marco Aurélio Santana Ribeiro, apelidado como Marcola, que atuou como chefe de gabinete durante todo o atual governo e deixou o cargo em 21 de julho deste ano.
A revelação trouxe um novo e grave elemento à crise que já envolvia o entorno do presidente. Segundo a analista de Política Isabel Mega, o governo teria se antecipado ao exonerar o ex-chefe de gabinete antes que as informações viessem a público, como uma “vacina” diante do iminente escândalo.
“Corre dentro do PT a visão de que já se sabia que, em algum momento, Marcola poderia se tornar alvo. E que isso traz um impacto que é temido pela campanha do presidente Lula”, afirmou Mega durante o Live CNN desta terça-feira (4).
Segundo a analista, a crise representa uma virada no cenário político. Até então, a campanha petista adotava, de acordo com Mega, uma postura de “jogar parado”, enquanto o principal adversário, Flávio Bolsonaro (PL), lidava com suas próprias turbulências.
“A gente observa uma mudança, que pode ser momentânea ou não, depende do que vai acontecer no outro lado, mas é uma virada de jogo que dá muito combustível aos principais adversários do presidente Lula. A crise abre a porta da frente do Palácio do Planalto”, destacou.
Mega lembrou que Marco Aurélio é uma figura da intimidade do presidente Lula, responsável por gerir agendas e intermediar contatos. “É para ele que todos os políticos ligam quando querem falar com o presidente Lula.”
Segundo apuração do site Poder360 e confirmada pela CNN, a empresária Roberta Luchsinger teria feito pagamentos ao ex-chefe de gabinete. Em nota distribuída pelo PT, Marco Aurélio afirmou ter recebido “com surpresa” a informação, classificou os valores como um empréstimo pessoal já quitado e que nunca teve nenhuma relação que caracterize qualquer ilegalidade.
A CNN procurou Sidônio Palmeira, da secretaria de comunicação do Palácio do Planalto, mas não obteve resposta até o momento.
“Eles têm que trabalhar no convencimento disso, porque, por mais que o Planato tenha se antecipado, exonerando Marcola, tirando-o do entorno direto do presidente Lula, é difícil apagar o passado recente, quando ele era o principal assessor do presidente”, destacou Mega.
O PL prepara um pedido de investigação ao Supremo Tribunal Federal sobre o ex-chefe de gabinete. O partido quer apurar se o Palácio do Planalto recebeu informações privilegiadas sobre a investigação da Polícia Federal antes de exonerar o ex-chefe de gabinete.
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