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São Paulo,04/08/2026

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Garden centers evoluem no Brasil e passam a unir paisagismo, curadoria e experiência de consumo

Novo modelo de negócio fortalece o setor verde ao combinar atendimento especializado, seleção técnica e ambientes mais imersivos para o público

Agência News
Garden centers evoluem no Brasil e passam a unir paisagismo, curadoria e experiência de consumo Reprodução

O setor de flores, plantas ornamentais e paisagismo vem atravessando uma fase de profissionalização acelerada no Brasil. Em vez de atuar apenas como pontos de venda de mudas, vasos e insumos, os garden centers passaram a assumir um novo papel na cadeia verde: combinar varejo especializado, consultoria técnica, experiência sensorial e soluções completas para residências, empresas e empreendimentos de alto padrão.

A mudança acompanha o crescimento da demanda por plantas ornamentais, jardins planejados e ambientes mais conectados à natureza. Consumidores que antes buscavam apenas uma planta para decoração hoje procuram orientação sobre espécie adequada, luminosidade, manutenção, composição estética, irrigação, porte, adaptação climática e integração com o espaço arquitetônico.

Esse movimento tem levado empresas do setor a repensar a forma de atender o público. O garden center contemporâneo não se limita à exposição de produtos. Ele organiza percursos, cria ambientes inspiracionais, oferece curadoria de espécies, apresenta combinações de vasos e vegetação, orienta o cliente sobre cuidados e aproxima o consumidor de uma experiência mais completa com o paisagismo.

Esse avanço representa uma mudança importante na maturidade do mercado, diz a arquiteta paisagista Bruna Rafaela Nina Silva.

“O garden center deixou de ser apenas um lugar onde a pessoa compra plantas. Ele se tornou um espaço de orientação, descoberta e experiência. O cliente quer entender o que funciona para o ambiente dele, como cuidar, como combinar espécies e de que forma aquele verde pode transformar a casa, a empresa ou o espaço comercial”, afirma.

A leitura da Bruna Rafaela dialoga com indicadores recentes do setor. Estudo do Cepea, da Esalq/USP, em parceria com o Ibraflor, apontou que a cadeia brasileira de flores e plantas ornamentais gerou PIB de R$ 21,23 bilhões em 2024 e 265 mil empregos. O mesmo levantamento registrou crescimento de 9,95% em relação a 2023 e destacou avanço nos segmentos ligados aos serviços de decoração, evidenciando a força das atividades que agregam valor ao produto vegetal.

Além dos números econômicos, o comportamento do consumidor também mudou. Datas comemorativas continuam relevantes, mas o consumo de plantas e elementos naturais tem se expandido para o cotidiano, impulsionado por residências mais integradas ao bem-estar, escritórios humanizados, fachadas comerciais com identidade visual e projetos de interiores que incorporam vegetação como parte da atmosfera do ambiente.

Bruna conhece esse processo por vivência direta. Sua relação com o setor começou ainda na juventude, dentro do ambiente empresarial da família, ligado à produção vegetal e ao paisagismo em Mato Grosso. 

“O cliente muitas vezes chega com uma ideia, mas não sabe exatamente o que o espaço precisa. A função do atendimento especializado é traduzir desejo em solução possível. Isso envolve escutar, avaliar o ambiente, entender manutenção, insolação, proporção e estilo. A venda passa a ser consequência de uma orientação bem feita”, explica Bruna.

A curadoria é um dos pontos centrais desse novo modelo. Em um mercado com grande variedade de espécies e produtos, selecionar corretamente se tornou um diferencial competitivo. Plantas inadequadas ao clima, ao tipo de luz ou à rotina do cliente podem gerar frustração, perda de investimento e baixa durabilidade do projeto.

“Nem toda planta bonita funciona em qualquer lugar. Algumas precisam de mais luz, outras toleram sombra, algumas exigem manutenção constante e outras são mais resistentes. Quando existe curadoria, o cliente não compra apenas pela aparência. Ele recebe uma solução mais coerente com a realidade do espaço”, destaca.

“Quando o cliente vê uma composição pronta, ele entende melhor o potencial daquele produto. O verde precisa ser apresentado com contexto. Um vaso, uma espécie ou uma textura vegetal podem mudar completamente de leitura dependendo da forma como são combinados”, observa a arquiteta paisagista.

A evolução do setor também exige gestão. Estoque vivo, sazonalidade, logística, perdas, manutenção das plantas, qualificação de equipe e relacionamento com fornecedores tornam a operação de um garden center mais complexa do que o varejo convencional. Plantas não são produtos estáticos. Elas mudam, crescem, exigem cuidado e dependem de condições adequadas para manter qualidade até chegar ao consumidor.

“O futuro do setor passa por atendimento mais consultivo. O cliente quer praticidade, mas também quer segurança. Ele precisa confiar que aquela escolha fará sentido no ambiente dele. Por isso, conhecimento técnico e experiência de consumo precisam caminhar juntos”, analisa.

A tendência também fortalece a integração entre paisagismo e mercado imobiliário. À medida que residências, condomínios, lojas, clínicas e empresas passam a valorizar áreas verdes, aumenta a procura por espaços capazes de oferecer não apenas produtos, mas soluções completas. Nesse ambiente, profissionais que dominam projeto e execução assumem papel estratégico.

Ao transformar o garden center em ambiente de curadoria, Bruna defende uma visão mais ampla para o setor verde. Para ela, o negócio não deve ser visto apenas como comércio, mas como ponto de conexão entre natureza, arquitetura e vida cotidiana.

“O garden center tem a capacidade de educar o olhar das pessoas. Ele aproxima o público da natureza e mostra que o paisagismo pode ser acessível, funcional e transformador. Quando existe técnica, beleza e propósito no atendimento, a experiência muda completamente”, conclui.

O avanço desse modelo indica que o setor verde brasileiro está deixando para trás uma lógica puramente transacional. A nova fase exige conhecimento, identidade, cuidado e capacidade de criar ambientes que façam o consumidor permanecer, aprender e imaginar novas formas de viver com a natureza.





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