Aluno que disparou em escola admite crime, mas nega intenção de matar
O adolescente de 14 anos suspeito de ter disparado contra professores num centro escolar em Aubagne, no sudeste de França, na segunda-feira, confessou os crimes em tribunal, mas rejeitou "ter tido a intenção de matar".
Segundo avança a estação RTL, que cita o Ministério Público francês, o jovem admitiu vários factos e, durante o interrogatório policial, confessou que tinha elaborado o plano durante "vários meses".
A motivação, explicou, foi um desejo de vingança relacionado com situações de assédio que disse ter sofrido por parte de professores e colegas, no instituto Joseph-Lakanal de Aubagne, nos arredores de Marselha.
O incidente ocorreu na manhã de segunda-feira, quando o adolescente, todo vestido de preto e a usar luvas, entrou na escola com um estojo de guitarra que continha uma arma.
De acordo com a investigação, o jovem disparou na direção do diretor da escola e de uma professora que se encontrava ao seu lado, no hall de entrada. Ambos conseguiram refugiar-se numa sala do primeiro andar até chamarem os serviços de emergência.
Depois, seguiu até ao segundo andar e disparou contra o chão do corredor, em frente a uma professora que tinha saído da sala após ouvir os disparos. Em seguida, dirigiu-se ao fundo do corredor, entrou numa sala ocupada por alunos e outra professora e disparou contra um quadro negro.
Outro professor acabou por conseguir imobilizar o suspeito quando este descia a escadas, desarmando-o e levando-o para uma sala até à chegada da polícia.
As autoridades investigaram as suas redes sociais, incluindo contas no ProtonMail, Discord, Snapchat e TikTok, tendo descoberto partilhas de conteúdos extremamente violentos, nomeadamente massacres em escolas.
Esta quarta-feira, a Procuradoria Nacional Antiterrorista de França (PNAT) abriu um inquérito contra o estudante por tentativas de homicídio relacionadas com uma atividade terrorista, associação criminosa terrorista e posse e transporte de armas e munições sem motivo legítimo.
Pai do adolescente também foi detido
Na segunda-feira, o pai do adolescente foi também detido, depois de a polícia encontrar um arsenal de armas na sua casa. Já a mãe foi interrogada pelas autoridades.
A informação foi dada pelo ministro do Interior francês, Laurent Nuñez. Durante uma declaração à imprensa no instituto Joseph-Lakanal de Aubagne, onde se deslocou acompanhado do ministro da Educação, Édouard Geffray, Laurent Nuñez garantiu que os primeiros elementos da investigação mostram que o jovem cometeu "um ato premeditado", ao mesmo tempo que pediu tempo para estabelecer o motivo e apontou que "todas as hipóteses permanecem em aberto".







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