Soluções industriais sustentáveis: Como o concreto está se adaptando à nova era verde da construção
Empresas do setor de artefatos de cimento apostam em inovação e certificações para equilibrar produtividade e responsabilidade ambiental
Reprodução O setor da construção civil no Brasil encerrou 2024 com um crescimento expressivo de 4,3% no Produto Interno Bruto (PIB), atingindo R$ 359,5 bilhões. Esse desempenho foi impulsionado pela retomada de obras habitacionais e de infraestrutura, além do aquecimento do mercado imobiliário .
Paralelamente, a indústria de cimento também apresentou resultados positivos. As vendas de cimento somaram 64,7 milhões de toneladas em 2024, representando um aumento de 3,9% em relação ao ano anterior . Esse crescimento reflete a demanda crescente por materiais de construção e a expansão de projetos em todo o país.
Diante desse cenário, empresas do setor de artefatos de cimento estão investindo em práticas sustentáveis para atender às exigências ambientais e de mercado. A Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) destaca que a cadeia cimenteira brasileira coprocessou cerca de 3,25 milhões de toneladas de resíduos em 2023, a maior marca da série histórica . Essa prática contribui para a redução de emissões de CO₂ e promove a economia circular no setor.
Empresários regionais lideram a adaptação
No Nordeste, empresas do setor vêm se destacando pela implantação de medidas concretas. No Ceará, a Propostes, especializada em postes, blocos, pisos intertravados e manilhas, tem apostado na otimização de recursos naturais como pilar de sua produção. Fundada por Flávio Gleyton Teixeira Lima, a empresa consolidou-se como referência em produção padronizada e certificada e com selo ISO 9001.
Entrevista: “Sustentabilidade deixou de ser diferencial e virou responsabilidade”
Em entrevista exclusiva, Flávio Gleyton, que atua há mais de duas décadas no setor, compartilha como tem conduzido a transformação sustentável em sua empresa e comenta o cenário atual da construção civil.
P: O que motivou sua indústria a adotar práticas mais sustentáveis?
Flávio Gleyton: A sustentabilidade deixou de ser uma opção. Hoje, ela é uma exigência técnica, comercial e social. Quando começamos a ver editais públicos e grandes construtoras exigindo práticas ambientais, entendi que era hora de agir. Mas, além disso, acredito que temos uma responsabilidade como empresários de pensar a longo prazo, para o negócio e para o planeta.
P: Quais práticas têm sido implementadas dentro da Propostes?
Flávio Gleyton: Estamos focando em três frentes: reaproveitamento de água industrial, controle rigoroso de desperdício de insumos como cimento e areia, e destinação adequada de resíduos. Também investimos em um sistema interno de monitoramento de produção que ajuda a otimizar o uso de energia e matérias-primas.
P: E como isso tem afetado o desempenho da empresa?
Flávio Gleyton: De forma muito positiva. A redução de desperdício tem impacto direto nos custos. Além disso, os clientes reconhecem o valor de comprar de uma empresa responsável. A certificação ISO e os selos de qualidade passaram a ser aliados na negociação. Sem contar o ganho de imagem e reputação, que também abre portas em novas regiões.
Conclusão: o novo concreto é verde
À medida que a sustentabilidade deixa de ser um discurso e passa a integrar as exigências do mercado, empresas que antecipam essa mudança garantem uma posição de destaque. No setor de artefatos de concreto, isso passa por investir em tecnologia, capacitação e reestruturação dos processos industriais.
Especialistas apontam que, nos próximos anos, a produtividade estará diretamente ligada à responsabilidade ambiental. E exemplos como o de Flávio Gleyton mostram que, mesmo em indústrias tradicionais, é possível inovar, crescer e cuidar do que realmente importa.






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